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sábado, 30 de março de 2013

Tempo de Páscoa

Cristo do Maiombe

Estatueta Cristo Coroado de espinhos, esculpida e adquirida na sanzala Malembo 1974

terça-feira, 26 de março de 2013

Recordar - O MVL de 26-03-1974

Os primeiros mortos em combate.


26 de Março74
Um grupo muito numeroso, cerca de 60 homens emboscou o M.V.L.(na zona da morte) Serra do Muabi. Causando-nos 4 mortes, 4 feridos graves, inutilizando 1 unimog 411, 1 unimog 404 e 2 berliets, numa extensão de fogo entre 2 a 3km.
in Batalhão Caçadores 4913

Ao contrário do que faz crer o relato acima, os mortos e feridos não pertenciam ao BCaç. 4913, mas sim ao BCaç. 4910/72. Eram efectivos de um grupo de combate da 3ªCCaç. À data, as escoltas ainda não tinham o apoio dos blindados, panhard's e chaimites.
À cabeça da coluna seguia uma viatura (unimog 404) equipada com metralhadora ligeira MG42.

O chefe de viatura e comandante da respectiva secção, que seguia na frente da coluna, era o saudoso Fur.Milº. Jorge Lopes Baptista (morto).
As outras baixas mortais foram:
-Sold. João Francisco Gonçalves Branco (metralhadora), natural de Ponta do 
  Sol, Madeira.
-Sold. Cesário Martins Horta, natural de Espirito Santo, concelho de Mértola.
-Sold. Manuel Machado Afonso, natural de Salir, concelho de Loulé.

Neste período a actividade IN na ZA do BCaç. 4913, era bastante intensa, tendo em apenas dois dias, 24 e 25-03-74, causado 5 mortos e 12 feridos a esta Unidade.


terça-feira, 19 de março de 2013

Os que nos precederam

Companhia de Caçadores 3408

Pouco se sabe sobre a CCaç 3408, e mesmo esse pouco é sempre contado na terceira pessoa. Fazendo fé no velho ditado, quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto, aquilo que se conhece(?) sobre o historial desta Companhia, estará bastante adulterado e limita-se práticamente a factos ocorridos num determinado dia, de uma comissão que durou cerca de dois anos.

Fomos recentemente abordados por um ex-militar daquela Unidade, no sentido de um eventual apoio documental, já que foi a 3ªCCaç-4910/72, que os rendeu por duas vezes. A primeira vez no Chimbete, em Agosto de 1972, quando tinham ainda a alma em carne viva, depois no Pangamongo em 1973, no final da sua comissão de serviço.

Tudo indica que iremos finalmente dispor de informação fidedigna sobre aquela Unidade, com a particularidade de ser escrita na primeira pessoa.

Factos comuns à CCaç 3408 e 3ªCCaç-4910/72
-Mobilizadas e formadas no BII 19-Funchal (actualmente RG3)
-Primeira zona de intervenção Chimbete
-Posteriormente Pangamongo, onde terminaram a comissão de serviço
Final de post

* -Aditamento em: terça-feira, 24 de Março de 2013, após um pedido de informação feito através do e-mail do Blog.

Nota: Conforme se pode ver na "lápide" do memorial (click na imagem para ampliar), há uma referência ao 1º cabo Mendes, desaparecido em 17-12-1972.

Com base nos sites abaixo indicados, prestamos os seguintes esclarecimentos:
1.Liga dos Combatentes, a informação prestada é que se trata do 1º cabo, ramo exército,Virgílio Manuel Mendes, falecido em Angola, em 17-12-1972, motivo acidente.
2. Ultramar.terraweb, a informação diz tratar-se do 1ºcabo atirador, Virgilio Manuel Mendes,natural do Monte, Funchal, pertencente à CCaç 3408/BCaç4910,falecido em 17-12-1972, por afogamento ñ rec, (não recolhido ou não reconhecido?).
A nossa versão
1. Em ambos os casos a identificação pessoal está correcta, conforme docº do Arq. Geral do Exército, em n/poder desde Maio2009 - O.S. 61/71 da RMA de 04-08-1971.
2. O militar pertence efectivamente à CCaç 3408 (Cª Independente formada em 1971), que nada tem a ver com o BCaç4910/72, conforme erradamente refere o site Ultramar.terraweb.

Nota final:
Apesar do BCaç.4910/72, ter participado nas buscas a nivel da 3ªCª, creio que também através de outras sub-unidades, os autores do blog dão o assunto por encerrado, por só conhecerem uma parte do problema e suposições muitas, as mais diversas, umas viaveis outras mirabolantes. A nossa consciência diz-nos que devem ser os camaradas que com ele privaram, a contar a verdade dos factos, SE acharem que o devem fazer. Da nossa parte respeitamos o seu silêncio.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sebastião

...a caminho do altar

cozinheiro
Segundo o jornal da caserna, Sebastião teria sido desviado dum hotel de Cabinda, cidade, para a messe do Pangamongo por um dos comandantes deste quartel. Ainda fazendo fé no dito jornal, a transferência foi relativamente fácil, dado que Sebastião era um cozinheiro livre, e o vencimento pago pelo exército mais a quotização mensal de oficiais e sargentos, excederia largamente o ordenado pago pelo anterior patrão.
Sebastião, tal como todos os nativos, civilmente tinha um ordenado inferior aos brancos, mesmo executando as mesmas tarefas.

poligamia
Na tradição Kikongo, é permitida a poligamia. O homem pode ter mais do que uma esposa, mas todas têm os mesmos direitos da primeira-dama. O estatuto na sociedade é condicente com o número de esposas.
O Sebastião tinha duas mulheres.
- Mulheres mesmo,jura... - dizia ele. Certamente já entenderam onde este queria chegar.

abono de família
Todos os contratados civis tinham direito a abono de família. No entanto a maioria nunca o terá recebido, por desinteresse da parte contratante ou desconhecimento da lei de ambas as partes.
O Sebastião foi um dos privilegiados no recebimento de tal complemento, graças à competência e honestidade dos responsáveis da companhia, nestas matérias.

O abono de família era pago aos contratados, desde que os filhos fossem fruto de um casamento segundo as normas do regime vigente, o que não era o caso.
Então havia que arranjar uma forma de contornar a situação. Foi proposto ao Sebastião o casamento com uma das mulheres, civilmente ou pela igreja, de preferência com a primeira dama, porque tinha sido a primeira e porque tinha mais filhos, o que tornava o bolo maior. Depois era só dividir os Angolares pelas duas mulheres, proporcionalmente aos filhos de cada uma. Não podiam ir as duas mulheres ao altar? Pelo menos os filhos de ambas tinham os mesmos direitos e proventos. A sugestão foi aceite. O SSebastião decidiu que o casamento seria pela igreja, não sei se por convicção se por facilitismo. Casar pela igreja, burocraticamente tudo estava facilitado.

Quando ficou assente que o nosso cozinheiro ia casar de papel, criou-se um movimento espontâneo entre os graduados e as esposas presentes, no sentido de fazer a boda, que o Sebastião merecia.
Apesar do envolvimento de todo o pessoal, o destaque vai claramente para as Senhoras.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Aniversário

Gratidão aos que estiveram connosco

Sebastião, cozinheiro e amigo da 3ªCCaç., no dia do seu
casamento de "papel passado".

sábado, 2 de março de 2013

Simulambuco

Destruir o Monumento de Simulambuco

  

Bento Bembe

José Manuel
01.02.2013

CABINDA — A governadora de Cabinda Aldina Barros da Lomba estará a enfrentar o primeiro teste politico ao admitir a requalificação do monumento de simbulambuco, há muito regeitada por Luanda por aparentemente minar a unidade nacional, não obstante se ter reconhecido legalmente as especificidade do enclave.
in VOA

domingo, 17 de fevereiro de 2013

LIGAÇÃO DINGE – NECUTO

Ligação entre comuna de Dinge e Necuto pode ser interditada

Cabinda  - A principal ligação entre as comunas de Dinge e Necuto, poderá ser interditada devido ao mau estado de conservação que apresenta a única  ponte sobre o rio Luali (1)(esta é a ponte do Seva, já referida em post's anteriores)


A ponte, construída na época colonial(2), já não oferece condições de segurança de modo a permitir a circulação de pessoas e bens.

De referir que fontes policiais têm registado neste local vários acidentes, tendo o último ocorrido a 31 de Dezembro de 2012, provocando a morte do motorista de uma viatura e o ferimento de dois ocupantes. A viatura, que se despistou, acabou por cair ao rio.
Outro acidente registado neste local envolveu um autocarro de passageiros da empresa GiraCab que fazia o trajecto Necuto-cidade de Cabinda, tendo igualmente se despistado da ponte e caído ao rio com os passageiros. Alguns ocupantes morreram e outros ficaram feridos gravamente(3).
                                                                         

A ponte de betão, que se localiza na Beira Nova, tem aproximadamente 20 metros de comprimento e cerca de 5 metros de largura. Permite a circulação de uma viatura de cada vez, não tem passagem para peões nem protecção nas laterais.
Beira Nova e a comuna de Necuto são os principais localidades onde se encontram instalados os mercados na  fronteira com as povoações vizinhas da RD Congo, usados para trocas comerciais todas as quarta-feiras e sábados.
Artigo da ANGOP-Agência AngolaPress
13/01/2013
            fontes :     (1) - PROFICO – Projectos, Fiscalização e Consultoria, Lda.
                       (2)   -  3ªCCaç - BCaç4910/72
                       (3)   -  ANGOP -Agência AngolaPress

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

SEVA (fim)

O dia seguinte

   O resgate dos corpos
Regresso do primeiro dia de buscas.
Subindo o Luali
 Feitas as primeiras buscas no dia do acidente, sem quaisquer resultados, foram então realizadas novas buscas, no dia seguinte revelando-se as mesmas infrutíferas.
Ao terceiro dia logo de manhãzinha, quando o pessoal nomeado se preparava para sair para o rio, chegou ao quartel, um nativo comunicando que tinham encontrado um ou dois (?) corpos, presos nos arbustos da margem, bastante abaixo do local do acidente. Foi o princípio da recolha dos corpos. Para além desses dois foram recolhidos outros tantos. Ficou por recolher um corpo de Garcia Bunga, que nunca foi encontrado.
Trasladados para o Pangamongo, os seus restos mortais aí foram preparados para a sua última viagem. Todos os mortos eram naturais de Angola, excepto o Fernando Martins Monteiro, natural do concelho de Tondela, freguesia de S. João do Monte, onde foi sepultado.
Por razões óbvias, não são publicadas fotos nem descrições pormenorizadas desta última fase, susceptíveis de poderem chocar e ferir sentimentos.
PAZ ÀS SUAS ALMAS
Os mortos da CCav.3488, perecidos no acidente.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Acidente na ponte do Seva (II)

Mergulho para a morte

 Alertados para o acidente, efectivos da 3ªCCaç-4910/72, imediatamente se dirigiram para o local e apesar de não possuírem quaisquer meios de socorro, um grupo mais resoluto resolveu mergulhar em apneia, por debaixo da berliet na tentativa de recuperar algum corpo que tivesse ficado sob a viatura, no seu mergulho para a morte. Sobreviventes, apenas o condutor. Nunca mais vou esquecer aquele pequeno grupo de bravos e loucos madeirenses, que num Luali castanho e com grande caudal, estávamos na época das chuvas, e numa zona propícia aos “alfaiates”, tiveram tal ousadia. Solicitados os meios para a busca dos corpos, foi-nos cedida uma banheira e quatro remos.

Será que não tínhamos pessoal da marinha e equipamento, para percorrer este trecho do Luali entre a ponte do Seva e a confluência com o Chiloango, para efectuar o resgate dos corpos? Há a registar que do local do acidente até à foz do Chiloango, o percurso é perfeitamente navegável, mesmo por barcos de assinalável calado. Falta de meios ou desprezo pela vida dos peões desta guerra? 
 
Perdidas as esperanças de encontrar corpos sob a viatura, esta foi rebocada para a margem
 Viatura recuperada. Ficava a faltar o mais importante, a recuperação dos corpos...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Foice em seara alheia?

Não, não é tão alheia assim. Trata-se de Cabinda...
Apesar de nem tudo estar bem, no tempo dos tugas do 4910/72, havia mais respeito pelos pequenos agricultores e pelas suas terras, pois era delas que provinha o sustento das suas famílias.

Notícia extraída da Voz da América
A produção agrícola continua assente numa agricultura familiar de subsistência não mecanizada e dominada também pela presença de mulheres

Falta de investimentos e pequenos agricultores entregues a sua sorte fazem da agricultura o parente pobre de desenvolvimento na província nortenha de Angola.

Os agricultores acusam as Administrações Municipaias (assim mesmo) de serem coniventes da situação (é a gasosa, que traduzido para português significa corrupção), por estarem permanentemente a emitir licenças de construção ostentadas pela maioria dos elementos que ocupa ilegalmente os terrenos agrícolas. A invasão está a decorrer sob o olhar silencioso do governo provincial de Cabinda que tem concedido licenças de loteamento de terras em zonas de agricultura familiar com pretexto urbanísticos.

Outros actores, os mesmos vícios.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Acidente Seva ( I )

Novembro Negro

Percurso do grupo até ao local do acidente
Estava-mos em 1973. No dia 24 de Novembro uma viatura Berliet transportando seis militares da CCav. 3488 / BCav. 3871, com destino à serração do Pangamongo para carregar lenha, sofre um acidente na ponte do Seva, a única sobre o rio Luali, situada a cerca de 3Km do destino.
Um dia quente e cheio de sol, uma zona calma e paradisíaca, ideal para retemperar do stress a que estava submetido aquele grupo, cujo dia a dia era sofrido, e vivido com o coração numa das mãos e a G3 na outra, lá no alto Maiombe. Afinal esse dia transformou-se num dos mais negros, na história daquela Companhia.
A abordagem à ponte, no sentido Beira Nova – Pangamongo, que era feita praticamente em cima de uma curva (?) e cujo angulo era de quase 90º, uma verdadeira armadilha, à qual se juntava outra, a vegetação do lado direito da viatura, a qual impedia a vista da ponte antes da chegada ao local. Por norma o acesso à ponte fazia-se a velocidade muito reduzida. O desconhecimento do local por parte do condutor da viatura, terá sido a principal razão de tão fatídico acontecimento.
Neste acidente morreram 5 militares da CCav.3488, ou seja um terço de todas as baixas do BCav. 3871, durante a sua comissão em terras de Cabinda, bem dura por sinal.
Na zona do arco central da ponte, a vedação derrubada pela berliet,
  no seu "mergulho" para o rio Luali.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

D.Duarte o Cantineiro

De pé o 1º Cabo Duarte - Homem de Trabalho e boas contas
 Ao fim de dois ou três dias pela mata tropical, onde a maioria das vezes só era possível avançar à força da catana, com temperaturas superiores aos 35º e humidade acima dos 90%, era a ânsia do regresso ao quartel para desfrutar da frescura de uma loira, fosse ela (Su)EKA, Cuca ou Nocal. Apesar dos meios de frio serem muito poucos e obsoletos, isto enquanto estivemos no Chimbete e Sangamongo, no bar dos praças estava um jovem que fazia os possíveis e impossíveis, para poder proporcionar a dita loira ou um simples refrigerante, este para os castos, cuja frescura mitiga-se tanto esforço e privação. Só quem acompanhava o seu trabalho pode aferir da sua dedicação à tarefa de que estava incumbido.
Foi o meu braço direito e o mais precioso colaborador. Era ele o 1º cabo António Neto Duarte. 
Votos de longa vida e aquele abraço que ainda não foi possível ao fim de tantos anos.
Obrigado Duarte.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Cabinda

Vistas da zona portuária

Vistas obtidas a partir da estação de tratamento e distribuição de água à cidade

domingo, 2 de dezembro de 2012

BAR GIRASSOL

 Lugares Emblemáticos (1)

Recriação a partir da foto de António Rodrigues, ex-sold. sapador do BC11

  

Muitos foram decerto, aqueles que estiveram ou passaram pela cidade de Cabinda e perderam a oportunidade, única, de visitarem "O Girassol", para degustarem um maravilhoso jantar com as iguarias deste bar restaurante. Situado mesmo na borda do Atlântico, com a água a espraiar-se a seus pés, rodeado de palmeiras e onde as línguas de fogo saídas dos poços do petróleo, lá ao largo, substituíam as velas em cima da mesa. Tudo isto por detrás do B.C.11.
O que verdadeiramente me espanta é que percorrida a NET, apenas encontrei uma imagem que infelizmente não traduz a beleza e a dignidade daquele lugar, mas prova que ele existiu. Aí vivi, meditei e me extasiei olhando a beleza daquele pôr-do-sol, enquanto aguardava pelo jantar.
 Por isso o meu obrigado ao António Rodrigues, ex-Sold. Sapador, do BCaç11,autor da  referida foto.
Humildemente, as minhas desculpas ao Bar Girassol e a todos os que por aqui passarem, pela qualidade, fraquinha, da recriação. Sei que aquele lugar merecia muito mais, mas reconheço que me faltam o engenho e arte.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O Médico e a Guerra


Li ontem num dos jornais diários o desaparecimento desse grande vulto da Ciência e da Medicina, que foi o Prof. Doutor Nuno Grande.

Recordei uma entrevista dada pelo mesmo a um órgão da imprensa, há já alguns anos, enquadrada numa retrospectiva daquilo que foi a guerra colonial. Já não recordava qual a revista, creio que seria um suplemento do JN, se estiver errado, as minhas desculpas ao autor. Lembro-me de na ocasião a ter guardado, porque era um relato de alguém que estando na rectaguarda, tinha a noção de como era dura a guerra que se travava nas matas do Maiombe, pois estava na antecâmara da morte, o Hospital Militar de Luanda, para onde iam os casos mais problemáticos.

Não encontrei a revista, mas encontrei o artigo na NET. Não é o documento original, no entanto deixo aqui o essencial desse artigo, porque estou certo, dirá muito a todos aqueles que viveram e lutaram no norte de Cabinda. Nesse imenso mar verde, como já alguém lhe chamou. O Maiombe.


GUERRA ESQUECIDA
Por




"Em Luanda, em 74, os combates eram uma coisa longínqua, que a cosmopolita vida na capital fazia ainda mais remota. "À medida que as pessoas se integravam, a ideia da guerra era uma ideia longínqua", recorda o pró-reitor da Universidade do Porto, professor Nuno Grande, na altura vice-reitor da Universidade de Luanda.

Como as pessoas estavam longe dos focos de guerra, adormeciam um pouco em relação à situação em que se vivia", conta. O professor recorda no entanto que a capital angolana por pouco não foi abalada por uma operação da guerrilha. "No Natal de 73, foi desactivada uma operação de guerrilha urbana que estava a ser preparada por gente da FNLA, dentro da cidade de Luanda. As pessoas não tiveram muita consciência disso, mas eu, porque estava ligado à Universidade, tive conhecimento pelos canais oficiais que uma das acções seria contra o próprio hospital universitário".

A preparação dessa acção foi contudo descoberta. No geral, o dispositivo militar da administração colonial era na verdade muito eficaz, reconhecem hoje alguns dos que naquela altura estavam do outro lado. O Exército, as tropas especiais africanas treinadas pela PIDE/DGS, os Flechas, a polícia política, forças militarizadas e as milícias da Organização Popular de Vigilância e Defesa Civil de Angola estabeleciam no terreno um controlo a que dificilmente escapavam os movimentos da guerrilha.

Estes faziam contudo incursões através das fronteiras de Brazzaville e da Zâmbia, e havia zonas perfeitamente demarcadas onde já se sabia que tudo podia acontecer. Aí por volta de 1965, conta Nuno Grande, nos Dembos e no Moxico a guerrilha fez muita mossa. "Cabinda e o Leste eram sítios de onde nós, os médicos do Hospital Militar, sabíamos que os feridos vinham sempre muito maltratados".

Em Cabinda, onde foi enviado para investigar um surto de febre amarela, "havia muitos focos, com grande número de mortos. Lembro-me que, numa distância de 200 quilómetros, os comandantes das companhias que estavam ali aquarteladas diziam-me: "Temos um morto por quilómetro".

"Bem sei que estavam ali dois anos, mas a guerrilha era muito mais efectiva em Cabinda, porque as fronteiras com o Congo-Brazzaville eram muito permeáveis. Eles faziam as operações, deixavam as coisas armadilhadas, e iam embora, nem sequer assistiam aos efeitos. E dava-se conta, no Hospital Militar de Luanda, quando alguém vinha de Cabinda, pelos maus tratos...", conta.        
  Por cá, era ler os comunicados militares que diariamente o Ministério da Guerra mandava publicar nos jornais. "O Serviço de Informações Públicas das Forças Armadas comunica que morreram em combate, na Província de Angola, os seguintes militares:" e seguiam-se os nomes de mais uns tantos que, naquele ano, entre a noite de Natal e a de fim de ano, não iriam aparecer na TV, a desejar festas felizes.

Nota: O sublinhado é nosso
Fonte : NET

Breve Biografia


O Professor Doutor Nuno Grande formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, com a apresentação de uma tese de 19 valores, tendo, na altura, sido convidado para ser assistente da cadeira de Anatomia ao lado do Professor Hernâni Monteiro. Doutorou-se em 1965, com a classificação de 19 valores.

Seguidamente foi mobilizado pelo Exército e colocado no Hospital Militar de Luanda.

Foi 1º Assistente da Universidade de Luanda e foi Encarregado do Centro de Estudos de Medicina Experimental do Instituto de Investigação Científica de Angola. Na Universidade de Luanda, regeu as cadeiras de Anatomia Topográfica e de Histologia, orientando, também, Anatomia Descritiva e Biologia. Em 1970, pela extensão a Angola da jurisdição da Ordem dos Médicos, Nuno Grande, apesar de estar a viver na então colónia há menos de 5 anos, foi eleito pelos colegas Presidente do Conselho Regional da Ordem dos Médicos. Exerceu igualmente as funções de Director da Faculdade de Medicina e de Vice-Reitor da Universidade de Luanda.

Em 1974, regressou de Angola, tendo, em 1975, juntamente com personalidade médicas como Corino de Andrade, fundado o actual Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto.[1]Nesta escola médica, em que foi regente da cadeira de Anatomia Sistemática realizou trabalhos inéditos de repercussão internacional.

Fonte : Wikipédia

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Novo Estádio de Cabinda

Governo investe mais de USD 80 milhões
Cabinda - Oitenta e cinco milhões de dólares norte americanos foram investidos pelo Governo angolano para a construção do novo estádio de Cabinda, que acolherá uma das séries da Taça de Africa das Nações Orange-Angola2010.

Trata-se do Estádio Nacional do Chiazi, localizado no bairro com o mesmo nome, numa área de 20 mil metros quadrados, cujas obras, estiveram a cargo de uma empresa chinesa.

Com capacidade para 20 mil espectadores, o empreendimento comporta casas de banho, camarotes Vips, duas subestações, sendo uma eléctrica e outra de água, sala de imprensa, sala de conferência, balneários para jogadores, bem como para treinadores e árbitros.

O referido estádio foi entregue formalmente hoje pelo empreiteiro, ao Ministério das Obras Públicas. Na ocasião, o governador provincial de Cabinda, Mawete João Batista, disse que é uma infra-estrutura que orgulha qualquer angolano amante de futebol e não só, e que cabe ao governo gerir bem o recinto para que ganhos económicos e sociais venham a resultar deste empreendimento.
Angola Press On-line, 2009-12-20