quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Quase nem demos por ela. Mas estivemos no meio dos cenários de um filme do National Geographic

Costumam ver os filmes de animais do National Geographic? Aquilo é uma lenda de beleza e de Natureza com as suas leis calmas e tranquilas, mesmo perante anecessidade de matar para sobreviver...
Pois bem. Ao longo destes anos todos tenho dito muitas vezes que no Maiombe o cenário era o mesmo: digno de um filme daqueles.
E as cenas eram as mesmas.
Os elefantes que vinham ali a uns quilómetros de nós passar os seus últimos dias e se aproximavam do cemitério dos elefantes... no meio da floresta virgem...
(Sabes que Buco Zau, M'Buco N' Zau, significa Buraco do Elefante?)
Mas há muitas outras imagens que não me largam há 35 anos.
O gorila que atravessa à frente do jeep da tropa de mãos dadas com a companheira e mãe do filho e com o filho a reboque a olhar para os humanos sem grande interesse...
A águia que volteia por cima dos Unimogs da tropa com a cobra presa nas garras, enquanto a serpente tenta libertar-se e se enrosca às patas da águia...
A surucucu, de que já falei aí em baixo noutro artigo, que se passeia pela parada de forma bem tranquila e alheia ao perigo de alguém ripar da G3 e a matar... e com os cães em respeito a fixá-la de longe e sem se atreverem sequer a mexer e os cabritos a fugir dela a sete pés...
Ou o caso da gibóia que procura ratos ou lá o que é junto das baterias da tropa... e acaba morta a tiro...
Ou os macacos a brincar na floresta...
Ou as trovoadas tropicais loucas com a Natureza animal em silêncio total, mas com a violência dos elementos durante meia hora, a que se seguia a calma absoluta - já com as aves na floresta a retomar o chilreio a mil vozes...
Ou o cão e a cabra do Bata Sano que marchavam ao lado da tropa na parada com a mesma compenetração ou até mais do que os soldados...
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Digam lá se isto tudo não é bem digno de um daqueles filmes do National Geographic, muitas vezes feito em locais bem menos marcantes da Natureza. Ali, a floresta era exuberante. Luxuriante, até.

1 comentário:

Curto disse...

Pois é, essa dos gorilas, ainda tenho para contar, a visita que eles faziam todos os dias à noite, à cozinha no Sangamongo velho| Fica para um proxima oportunidade. São tantos os episodios, que até se atrapalham uns aos outros. Devia ter feito um diario....Um abraço