sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A chegada ao inferno tropical

Talvez com vocês tenha acontecido o mesmo: quando a porta do avião se abriu em Luanda naquele dia 4 de Agosto de 72, amaldiçoei mais uma vez a minha vida e a tropa. Nunca tinha percebido onde era o inferno. Afinal era ali e eu tinha lá chegado, condenado a não sair de lá tão cedo.
Sais do ar condicionado fresco do Boeing 737 e... vem de lá aquele ar doentio, podre... quente de morrer. Depois habituaste-te. Mas aquele primeiro choque foi traumatizante.
Nunca mais me livro desta memória. Mais uma que veio para ficar.
Ainda hoje à tarde, quando cheguei a Sesimbra (estava um ar quente), disse mais uma vez o mesmo de sempre:
- Que raio de ar quente. Parece Luanda à saída do avião...
(Ponho-te aí uma foto do interior do Boeing, para te recordares como foi...)

3 comentários:

Anónimo disse...

Amigo Zé Carlos, não eram estes os Boeing's da "tropa", eram uns menos atraentes,cinzentos sujos e com uns cabos especialistas de bandeja na mão a oferecerem-nos uns rebuçaditos de frutos, poucos para não provocarem cárie. Esta ementa poupava muito dinheirinho ao Estado e olhava pela nossa saúde.Tinha algum nexo estarem a dar-nos uma ceia e depois terem que nos fornecer esses comprimidos que custam balurdios, para mantermos a linha?Eu cá sempre gostei dos homens que mandavam na tropa, pois sabiam tudo e assim a malta nem precisava de se ralar a pensar, para além disso; davam-nos de comer,davam-nos cama e repito preocupavam-se muito com a nossa saúde.
Um abraço
A.A.

joao disse...

Só que esqueces de mensionar que 1 par de dias depois era só bebedeira de santola de Moçâmedes e cerveja...

joao disse...

PS
Só que esqueces de mensionar que 1 par de dias depois era só bebedeira de santola de Moçâmedes e cerveja...no Amazonas