terça-feira, 14 de outubro de 2008

Uma manhã de domingo no Buco Zau

Lembram-se do Caldeira, alferes da 1ª, quando vocês (1ª) estiveram no Bata Sano? Há muitas histórias dele que me acompanham desde essa altura. A maior parte metem o bom feitio dele, o muito whisky em que afogava os seus poemas de desespero bem-disposto na minha varanda em Buco Zau, e a mistura do inglês com o português altas horas da noite...
Mas há uma coisa que ele fez numa manhã de domingo que tenho muita pena de não ter sido eu a fazer (é que não dei mesmo conta do que se estava a passar). Se calhar já nem ele se lembra.

.Quem me dera rever o Caldeira... Descubram-no lá para mim.

A situação foi muito simples. Era uma manhã de domingo. O Caldeira estava no bar cá em baixo, em Buco Zau. Constou-lhe que havia sururu junto a um camião que, como sempre, recolhia o cacau que as pessoas de lá estavam a vender... quer dizer quase a dar de borla a um camionista que os enganava a dois carrinhos: roubava no peso e roubava no preço. (Na foto meti um camião parecido com os daquele tempo - se bem me lembro...).
O que é que o bom do Caldeira fez?
Mandou descarregar o camião todo e voltar a pesar tudo.
Imaginam a cara do camionista?
.. Parce que foi fazer queixa do Caldeira e tudo.
Mas que castigo é que alguém nos podia dar? Mandar-nos para a guerra?
Já lá estávamos.
Esse era o nosso desespero.
Mas era também o desespero dos comandos daquela coisa: depois daquilo, nós já não tínhamos medo de nada.
Ainda hoje me rio desse desânimo deles por não poderem castigar-nos mais...
EhEhEhEh!!!!!

2 comentários:

João Silva disse...

Roubar no peso e no preço, era o principal esquema dos merceeiros lá daqueles sítios.

Zé Carlos, já te enviei o contacto do Caldeira.

Curto disse...

o Caldeira era um castição. E então quando estava com o copito, a sorrir, com ar de safadão, atrás daquele bigode! Alias a 1ª.Companhia, a nivel de alferes, só tinha castiços: Caldeira, Quinhonhes, Lagoa Nunes... O unico que escapava era o Maia (Oscar).