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terça-feira, 5 de abril de 2016

Uma peripécia com final feliz

Rectificação: Peres, ex-furriel da CCS
Foi comunicado no almoço do ano passado e publicado no blog, post de 14-10-2015 já alterado, que o ex-Furriel da CCS - José Carlos Ribeiro Bento Peres, natural de Vildemoinhos e residente em S. Domingos de Rana-Cascais, havia falecido. Também se referiu que foi a esposa, via telefone, a dar tal informação.

Acontece, que na semana passada, durante um telefonema com o ex-Furriel da 3ª C. – Pereira a propósito do próximo almoço, veio à baila a notícia do falecimento do Peres publicada no blog, onde ele me diz que o Peres está vivo e bem vivo. Ao perguntar-lhe se tinha a certeza, respondeu-me que o via com frequência na cidade de Viseu.
Ainda bem que está vivo! Porra, vou já rectificar o post! – foi a minha reacção.

Fosse como fosse, na comunicação ou na recepção da informação, houve um mal-entendido ou má interpretação entre mim e as pessoas da organização, mas por sinal com final feliz.

Peres, vê lá se regressas aos nossos almoços/convívio, quanto mais não seja para gracejarmos com este episódio. Abraço.
João Silva

sábado, 29 de setembro de 2012

O meu Aspirante

Tive três. O primeiro passou na minha vida, mais rápido que o lucky luke, quinze dias depois do início da instrução de uma recruta no BC8, foi mobilizado para Timor em rendição individual, tendo eu como cabo miliciano mais antigo, assumido o comando do pelotão até ao seu juramento de bandeira. O desta estória foi o segundo, o terceiro foi meu Aspirante e meu Alferes, uma escolha acertada do destino.

Introdução
Uma conversa de café entre amigos, sobre Perfecionismo e Organização vs TOC (Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva), trouxe-me à memória uma personagem que tive o grato prazer de conhecer há quarenta anos atrás.

O Aspirante (αQ)
Abril de 1973, o cabo miliciano nº .…71, nomeado para fazer parte do BCaç4910/72, dá entrada no BII19, em S. Martinho no Funchal. Depois de muita indecisão dos responsáveis pela sua colocação, acaba por ir parar a uma companhia, da qual mais tarde não fará parte. O tenente miliciano comandante daquela companhia, atribui-lhe o pelotão do Aspirante Q (αQ).

Homem muito responsável, educado e humanista, tanto para os cabos milicianos, como para com os instruendos. Foi extremamente gratificante ser seu colaborador.

O Alferes (αQ)
Da Madeira para o RI1, na Amadora onde decorreu o IAO. Aqui separamo-nos, o nosso herói manteve-se na mesma companhia eu fui parar a outra.

Em Cabinda perde-mos praticamente o contacto. Apenas convivemos duas ou três vezes, no entanto eu ia ouvindo algumas conversas sobre os hábitos e metodologia deste personagem; controle, confirmativo e repetitivo, alinhamento, dedicação extrema às tarefas de que estava incumbido, zeloso quanto a valores morais e éticos, pouco propenso a actividades de lazer, entre outras (alguns dos sintomas TOC).

Das várias estórias que se contavam, destaco duas, uma era durante a noite verificar diversas vezes a operacionalidade da arma, puxando a culatra atrás para verificar a existência da munição na câmara, o que perturbava o descanso dos que dormiam sob a mesma tenda, a outra era quando ia tomar banho e alinhava tudo aquilo de que necessitava, mas seguindo uma determinada ordem. Aí os camaradas, sempre que podiam trocavam a ordem de um ou dois objectos, mas o nosso bom alferes logo dava pela “marosca”.
Determinado dia resolvi contrariar ordens do Comandante do Batalhão e foi ordenada através de msg., a minha comparência no Bata Sano. Posto ao corrente do que se tinha passado o meu Capitão resolveu acompanhar-me.

Chegados ao destino, depara-mos com o αQ, que com um papel na mão ia percorrendo o campo de jogos junto à messe dos oficiais e apontava o número de passos de cada trajecto.

Intrigado o meu Capitão questionou:
-Ó αQ porque está a contar os passos que tem o campo e a tomar nota?
Resposta do nosso alferes:
-Meu capitão estou a aferir a medida do meu passo.

O nosso αQ no dia anterior tinha feito uma operação no mato e como as cartas não eram muito fiáveis o bom do homem apontava as distâncias entre lugares de referência, para posteriormente fazer um relatório o mais circunstanciado possível.

Era voz corrente que os melhores (mais precisos e reais) relatórios operacionais eram os do αQ, segundo o chefe de operações do Sector. Verdade ou mito?

Como eu gostava de encontrar o αQ, só para lhe dar um abraço.
Texto e imagens de A. Almeida

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A minha guerra…

esta história não é nossa, mas é de Cabinda

Quando ouvimos barulho, eu e outro companheiro deitámo-nos no chão, durante mais de uma hora e essa noite pensei que talvez fosse a última da minha vida. Ali ficámos imóveis e o colega que estava deitado a meu lado no chão tremia como varas verdes. Disse-me que tinha fome e respondi-lhe que tínhamos de aguentar, até porque na véspera tínhamos tido ração de combate. Mas de repente meti a mão ao bolso do camuflado, vi que tinha sobrado uma bolacha da ração e dei-lha. Então, ele disse-me baixinho: “é metade para cada um de nós”. Isso ficou-me marcado para sempre. E essa não foi a última noite da minha vida, mas foi aquela em que aprendi o valor da camaradagem.
=Excerto da história de João Ferreira Monteiro=
Ler aqui - Correio da Manhã de 2010-04-04

Esta história é contada por quem esteve na guerra colonial em Cabinda, cerca de dez anos antes de nós. O que mais ressalta da narração de João Monteiro, para além dos valores de camaradagem, é sem dúvida a grande diferença de quem foi de barco e de quem foi de avião.